Desvendando a desigualdade nas escolas públicas do Brasil

Desvendando a desigualdade nas escolas públicas do Brasil

Você já parou para imaginar se todas as escolas públicas do Brasil tivessem o mesmo nível de educação? Por enquanto, essa realidade ainda está muito distante. Isto porque, de acordo com um estudo feito pelos pesquisadores Gabriel Correa e Isabel Opice, ainda há grande desigualdade nas escolas públicas do Brasil. A investigação concluiu que, além das diferenças de desempenho no aprendizado, existem heterogeneidades entre alunos, infraestrutura, professores e diretores das piores e melhores escolas públicas do Brasil.

O QEdu lança mais uma série de três artigos que irá tratar sobre a desigualdade das escolas públicas do Brasil. Com base no estudo científico feito por Correa e Opice, vamos mostrar em detalhes onde estão as diferenças entre essas escolas. Nesta primeira postagem, você vai conhecer melhor como o estudo foi conduzido e os primeiros resultados alcançados.

Desigualdade entre escolas públicas do Brasil:

“Ainda que observemos um avanço na média de exames padronizados para os alunos da educação básica na rede pública ao longo dos últimos anos, essa melhora não ocorre de maneira homogênea entre as escolas”, afirmam os pesquisadores.

A realidade é que a melhoria da média geral das escolas na Prova Brasil, identificada entre os anos de 2007 e 2013, é um reflexo maior dos resultados das escolas que estão entre as 10% com as melhores notas, enquanto o que se observa para as escolas 10% das piores notas é uma diminuição no nível de desempenho.

Isso pode ser facilmente notado no gráfico abaixo, de elaboração dos autores, que apresenta o resultado médio da Prova Brasil entre 2007 e 2013 para os alunos do ensino fundamental inicial. O gráfico distingue a média de todas as escolas (Média Brasil) das escolas que estão entre as 10% com melhores notas (10° decil) e escolas entre as 10% com piores notas (1° decil).

Comparação de notas das escolas de 2007 a 2013

grafico

Um olhar mais cuidadoso revela que a análise das médias de desempenho, quando feita de maneira isolada, omite diferença entre os extremos, ou seja, entre as escolas com melhores e aquelas com piores notas. Em resumo, enquanto as melhores escolas públicas brasileiras conseguem ofertar um ensino cada vez melhor, o mesmo não ocorre para o grupo de piores escolas.

Para chegar às conclusões que serão apresentadas nesta série, os pesquisadores levantaram estatísticas descritivas sobre as escolas nos extremos da distribuição de notas da Prova Brasil 2013, ou seja, as que estão entre as 10% com melhores notas (10° decil) e escolas entre as 10% com piores notas (1° decil).

Além das notas, foram analisados também os microdados dos questionários socioeconômicos aplicados aos alunos junto às provas. O objetivo foi mostrar um panorama inicial e motivar o tema para análises que apontem relações causais entre características escolares e desempenho de notas.

Entre os resultados encontrados, há aqueles mais conhecidos e previsíveis, como por exemplo que o nível socioeconômico dos alunos das piores escolas é inferior ao das melhores, e que há uma maior concentração de escolas com baixo desempenho nas regiões Norte e Nordeste do país.

Outros resultados, esses já menos discutidos, dizem respeito a menor experiência e idade dos professores e diretores nas piores escolas e também ao alto percentual de professores indicados politicamente nessas escolas em relação às melhores.

Fonte: QEdu Blog. Meritt Informação Educacional, 28 jul. 2015. Disponível em: http://goo.gl/DG2K4d