Programa Integrar envolve comunidade escolar em uma série de iniciativas para melhoria da qualidade da educação pública de Paracatu (MG)

Programa Integrar envolve comunidade escolar em uma série de iniciativas para melhoria da qualidade da educação pública de Paracatu (MG)

“A cada dia ganho mais conhecimento e mais vontade de estudar. Adorei o projeto que a Kinross trouxe para a escola”. A fala da aluna Ana Caroline Pacheco Rama, do 9º ano da Escola Municipal Cacilda Caetano de Souza, reflete o sentimento de muitos dos 746 estudantes que participaram das atividades promovidas pelo Programa Integrar – Eixo Educação em Paracatu (MG) em 2015.

A iniciativa é realizada desde 2011 pela empresa Kinross e tem como proposta contribuir para a melhoria da qualidade da educação pública da cidade, de acordo com as diretrizes do Plano Paracatu 2030. A ideia é fortalecer e valorizar o trabalho de gestores e educadores, por meio de ações continuadas e focalizadas, contribuindo para a elevação dos indicadores oficiais de aprendizagem.

O programa atende escolas por um ciclo de 2 anos, priorizando as turmas que participam da Prova Brasil (4º e 5º anos e 8º e 9º anos). Em 2015, oito escolas foram atendidas pelo Programa beneficiando 28 turmas de 5º e 9º anos e envolvendo cerca de 60 professores e gestores escolares.

Nas escolas, foram desenvolvidas uma série de iniciativas, em diversas frentes: reforço escolar; apoio a projetos pedagógicos; apoio à realização de ações com famílias; oficinas de formação de professores; oficinas de sensibilização da comunidade escolar; manutenção de acervo de gibitecas e ações de comunicação por meio de blogs.

A variedade de atividades foi um dos destaques apontados pelos alunos como diferencial do Integrar. “O programa está focado na melhoria da qualidade do ensino nas escolas municipais e estaduais de Paracatu. Ajuda alunos, professores e até nossas famílias com palestras, livros, materiais escolares e muitas outras coisas”, escreveu Lauane Pereira de Souza, aluna de 5ª ano da Escola Estadual Josino Neiva.

Os 40 projetos pedagógicos de Língua Portuguesa e Matemática desenvolvidos pelas escolas com apoio do programa em 2015 incentivaram os alunos a apostarem nos estudos. Com aulas mais dinâmicas e participativas, baseadas em atividades práticas, como jogos matemáticos ou jornal e rádio escolar, por exemplo, os estudantes encontraram novos caminhos para aprender.

“O programa faz com eu me desenvolva melhor dentro da sala de aula. Com o Integrar, temos aulas mais dinâmicas, divertidas e alguém para nos auxiliar dentro de sala sobre o que não aprendemos. O programa vem ajudando até no nosso modo de pensar os estudos”, disse a estudante Danielle Azevedo Alves, do 9º ano da Escola Municipal Professora Márcia M. Meireles – CAIC.

Muitas mudanças, inclusive, são percebidas pelos próprios pais, que destacaram essa percepção nas avaliações escritas aplicadas pelo programa. “O Integrar ajuda no desempenho do aluno. Eles participam mais das atividades na escola. Ajuda na convivência e na união entre alunos e professores”, comentou uma mãe de aluna da Escola Municipal Coraci Meireles de Oliveira.

Segundo os gestores das unidades escolares participantes, o impacto das ações foi perceptível no dia a dia. Para a supervisora Valdirene Ferreira Gonçalves Ferreira, da Escola Estadual Professor Josino Neiva, “ter o Programa Integrar na escola causa uma movimentação muito positiva, entusiasmando e encorajando profissionais e alunos”.

Em 2014, o Programa conquistou reconhecimento público, com o “Prêmio Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – Minas Gerais”, e compartilhou suas experiências no livro “Avaliação & Aprendizagem”, com a sistematização de aprendizados.

Formação continuada

A realização de oficinas de formação de educadores e estagiários desenvolvidas por especialistas em Prova Brasil, incluindo a elaboração de simulados, foi uma das apostas do Programa Integrar para aprimorar cada vez mais a atuação dos professores em sala de aula.

Neste ano, foram realizadas oficinas com foco em Língua Portuguesa e em Matemática, apresentando aos participantes ferramentas, materiais e sugestões de ações a serem aplicadas no cotidiano das escolas.

Para a professora Maria Joana Cardoso Silva, da EE Olindina Loureiro, as formações trouxeram “novos horizontes e sugestões inovadoras de prática pedagógica para tornar a leitura do aluno mais prazerosa, interessante e participativa”.

Aprendizagem significativa

Além do apoio aos projetos pedagógicos implementados pelos professores, o Integrar incentivou também a realização de atividades de reforço escolar, desenvolvidas por 19 estagiários universitários. As aulas aconteceram no turno ou contraturno voltadas, principalmente, para alunos com dificuldades de aprendizagem.

Para viabilizar esta ação, foram estruturadas parcerias com Instituições de Ensino Superior de Paracatu, como a Faculdade do Noroeste de Minas – FINOM, a Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes e a Faculdade Atenas.

Com muita criatividade e dinamismo, os estagiários propuseram atividades para ajudar os alunos a aprenderem de novas formas. A estagiária Maísa Mara de Sousa, que atuou no CAIC, conta que apostou num trava-língua em que os próprios alunos se “tornaram letras” para trabalhar a linguagem oral e a aquisição da base alfabética. O resultado não poderia ter sido mais proveitoso. “Fiquei muito feliz com a atividade, pois eles se envolveram e conseguimos alcançar os objetivos propostos com aqueles alunos mais dificuldade de apropriação de leitura”, ressaltou.

Já a estagiária Patrícia Dias, da Escola Municipal Gidalte Maria dos Santos, apostou nas histórias em quadrinhos para envolver os estudantes. O trabalho final foi a construção de um painel com várias histórias produzidas pelos alunos. “Estou tentando diferenciar as aulas com metodologias que somem e possam ajudar os estudantes a desenvolverem cada dia mais”, disse.

O apoio próximo e constante dos estagiários para esclarecer dúvidas foi um dos pontos valorizados pelos alunos. O estudante Aldemir Campos, do 9º ano da Escola Municipal Cacilda Caetano de Souza, por exemplo, contou que o reforço o ajudou a interpretar textos, algo que ele tinha muita dificuldade em fazer. Já para a aluna Linda Maria Nascimento Santana, do 9º ano da Escola Municipal Professora Maria Trindade Rodrigues, o apoio na disciplina de Matemática foi fundamental. “A aula me ajudou muito, pois eu tinha dificuldade principalmente em multiplicar. Com as atividades, aprendi uma maneira mais fácil de fazer isso”, disse.

Os professores que acompanham os estagiários também ressaltaram a importância deste trabalho. Para a professora Maria Aparecida da Cunha Pereira, da Escola Estadual Affonso Roquette, os estagiários ajudaram os estudantes a terem mais interesse pelas atividades propostas. “O pai de uma aluna comentou que a filha melhorou seu comportamento e passou a estudar mais depois que começou a ir ao reforço escolar”, completou a professora Graciete Ribeiro Venâncio Gonçalves da Escola Municipal Coraci Meireles de Oliveira.

Materiais de apoio

Uma das ações melhor avaliadas este ano pelas escolas foi a doação de acervo para gibitecas, visando estimular o interesse dos alunos pela leitura. A ação vem sendo realizada desde 2012, com a doação de mobiliário, gibis e revistas. A partir de 2015, o Integrar passou a adquirir gibis usados, mas em bom estado, incluindo títulos, como a revista “Turma da Mônica Jovem” para as escolas com turmas de 9º ano. Com essa nova estratégia, o volume de gibis distribuídos nas escolas saltou de 2.175, em 2014, para 4.886, em 2015, resultando num acréscimo de 125% no volume de títulos disponibilizados aos estudantes.

Os gibis se tornaram disparadores de atividades pedagógicas, como criação e interpretação de textos, releituras de histórias, estudo de personagens, rodas de leitura e até mesmo criação de novas histórias em quadrinhos e peças de teatro.

Segundo professores e gestores escolares, com a chegada dos gibis, os alunos passaram a ler mais, despertando o interesse principalmente dos estudantes com dificuldades de leitura e interpretação de textos. “Os alunos gostam muito de lê-los e ficam ansiosos para trocá-los uns com os outros. O que contribuiu muito para aprimorar habilidades de leitura e escrita”, comentou a professora Selma Bispo dos Anjos, da Escola Municipal Professora Maria Trindade Rodrigues.

Família participativa

Garantir de fato uma aprendizagem significativa passa também pelo apoio efetivo das famílias à vida escolar de seus filhos. Por isso, o Integrar apoiou o desenvolvimento de atividades nas escolas que pudessem incentivar, cada vez mais, pais, avós, tios e demais responsáveis pelos alunos, a valorizarem a educação, participando e cooperando com o trabalho dos professores.

As escolas desenvolveram diversas ações, como encontros com especialistas para dialogar com os pais, palestras e eventos festivos. Em 2015, a equipe do Programa levou às escolas a psicóloga Sandra Caselato, que abordou tema da comunicação não-violenta; a pedagoga Ana Paula Ferreira, que falou sobre a transição dos anos iniciais para os anos finais do Ensino Fundamental e a socióloga e pesquisadora Gisela Wajskop, que conversou com os pais sobre a importância da lição de casa para a melhoria do desempenho dos alunos.

Muitas escolas destacaram que essas iniciativas foram essenciais para motivar a aproximação das famílias, aumentando a participação dos pais na educação dos filhos. Nas avaliações, os familiares também enfatizaram a importância da realização de momentos formativos. “Que bom que vocês estiveram aqui, nos ensinando a ajudar nossos filhos, a ficar mais perto deles nos estudos e a acreditar nos seus sonhos”, disse mãe de aluno da Escola Estadual Olindina Loureiro.

Para saber mais sobre o Programa Integrar acesse o site:

Conheça também a publicação Avaliação & Aprendizagem no seguinte endereço:

 

* Foto: Ana Paula Pires de Oliveira, estagiária de Língua Portuguesa e José Luiz Lemos Martins da Silva, aluno da Escola Estadual Professor Josino Neiva, em 2013. Foto: Thiago Keller