Qualidade da educação e aprendizagem

Qualidade da educação e aprendizagem

Olá, pessoal. Agradecemos os comentários postados.

Acrescentamos um novo texto para leitura, mais abaixo, neste mesmo post, comentando as falas dos especialistas.

Respondemos também a todos comentários que vcs fizeram. A cada resposta, acrescentamos uma nova pergunta, que gostaríamos que vcs nos trouxessem, preferencialmente, por escrito, na oficina de formação. Será uma forma bastante rica de nos conhecermos melhor e trocarmos ideias, na preparação para grande desafio que nos espera.

Leiam também os comentários dos colegas!

Abraços e até breve!

Marcelo Nonato e Luciana Gil

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Prezados estagiários do Programa Integrar , sejam bem-vindos!

O principal desafio do Programa Integrar é contribuir para a melhoria da qualidade da educação nas escolas públicas em Paracatu.

Essa qualidade, na visão do Programa, se realiza na aprendizagem do aluno. Segundo Medeiros e outros (2013, p.22): “De forma ampla, pode-se definir o aprendizado do aluno como o objetivo maior da escola”. Escola boa é aquele em que o professor ensina e o aluno aprende. Portanto, para nós, a qualidade da educação está intimamente relacionada com a qualidade da aprendizagem dos alunos, que pode ser mensurada por meio das avaliações oficiais externas à escola, como o Saeb/Prova Brasil e o Simave/Proeb-MG.

Daí a importância para o Programa Integrar do bom desempenho dos alunos nessas provas oficiais, com alcance ou superação das metas estabelecidas, especialmente, a nota do Ideb de cada escola. Essa diretriz implica em vários desafios, pois não basta que o educador ou a escola ensinem, é preciso que os alunos aprendam. Como sabemos, é direito de todos aprender, mas nem todos conseguem aprender no mesmo ritmo.

Assim, um ponto importante nesse contexto, o nosso ponto de partida, é compreender bem a diferença entre uma educação orientada para a acumulação de conhecimentos e uma educação voltada para o desenvolvimento de competências.

Para isso, como tarefa preparatória à nossa primeira oficina de formação, assista a um ou mais dos vídeos abaixo e responda à questão a  que se segue.

Com base nos argumentos apresentados, discorra sobre uma competência essencial a ser aprendida na escola e que você considere imprescindível para o desenvolvimento dos seus futuros alunos no Programa. Deixe sua resposta na caixa de comentários abaixo, com seu nome completo.

Referências:

  • MEDEIROS, Mirna de Lima e outros. Gestão e complexidade na escola pública. Annablune Editora. São Paulo, 2013.
  • O desafio da educação por competências (equipe do Programa Integrar) – http://goo.gl/rPWG8k
  • Descrição completa do Programa Integrar – http://goo.gl/3DdJdc

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[Atualizado em 31 mar. 2016]

Alguns comentários sobre os vídeos apresentados.

O professor Nilson Machado faz uma provocação inicial, afirmando que finalidade maior da Educação Básica não é ensinar matérias ou conteúdos disciplinares. Diz que matérias ou disciplinas são MEIOS para desenvolver nos alunos competências específicas relacionadas ou derivadas das competências básicas de ler, escrever e contar. Ele usa a expressão “desenvolver ampliações das ideias mestras de ler, escrever e contar”. Cita também 3 pares de competências básicas que todas as disciplinas deveriam desenvolver, e ressalta, com grande ênfase: “não há outra maneira de desenvolver competências senão estudando conteúdos… assim como não há chance de haver uma pessoa competente sem conteúdos”. O papel da escola e do professor, na visão dele, vai além de simplesmente “passar conteúdos”.

Já o professor Celso Antunes afirma que todos nascemos com capacidades e as desenvolvemos no meio em que vivemos. Diz que é papel da escola ampliar e desenvolver as competências que os alunos já possuem. Afirma que, nesse esforço, a escola precisa ensinar aos alunos atividades, aparentemente, muito básicas, como fazer um caderno, fazer uma pesquisa ou até mesmo aprender a estudar. Apresenta também uma definição de competência bastante interessante. Na visão dele, competência é “a capacidade de mobilizar recursos mentais para resolver problemas ou superar obstáculos”. Este raciocínio sugere que as competências desenvolvidas na escola por meio do estudo de conteúdos curriculares devem ajudar os alunos – e futuros adultos – a resolver problemas e desafios da vida cotidiana.

Um outro autor, que não está nos vídeos, o economista Marcelo Neri, da FGV-RJ, afirma que a “Educação Básica promove uma acumulação de capital humano geral que só se deprecia quando o indivíduo morre”. Só para contextualizar, a Educação Básica no Brasil compreende os níveis da Educação Infantil até o Ensino Médio. Obviamente, o autor não está se referindo a “quantidades de conhecimentos memorizados” na escola, mas a competências e habilidades que utilizaremos – e ampliaremos, se continuarmos estudando – durante toda nossa existência, nas diversas situações da vida.

É neste contexto que devemos entender a afirmação da professora Viviane Mosé, que esteve em Paracatu em fevereiro de 2016 fazendo palestras para funcionários da Kinross e gestores de escolas públicas: “o primeiro lugar no vestibular (tradicional) é o rei do conhecimento inútil… O vestibular quer saber o que você sabe. O Enem quer saber o que você faz com o que você sabe”. O Enem, como a Prova Brasil é um tipo de avaliação prioriza o raciocínio do aluno na interpretação e resolução de situações-problema, e não a sua capacidade de memorizar conteúdos ou fórmulas. Para isso, a autora preconiza uma educação em escolas públicas que desenvolva habilidades e competências; ou seja: que desenvolva a inteligência do aluno. Diz que devemos lutar por uma educação libertadora, com mecanismos de avaliação, como a Prova Brasil e o Enem, que capacite o aluno a ler a realidade em que está inserido para poder transformá-la. A escola, afirma ela, tem de ajudar o aluno a viver melhor.

Essas ideias fortalecem a proposta do Programa Integrar. Nosso objetivo é contribuir para a melhoria da qualidade da educação nas escolas apoiadas, auxiliando professores e gestores no desenvolvimento de competências e habilidades cognitivas nos alunos, como ler, interpretar, analisar, argumentar, resolver problemas, a partir do estudo dos conteúdos curriculares obrigatórios. A medida de aferição dessa qualidade do ensino é a nota do Ideb (saiba mais AQUI) de cada escola.

Nossa meta é a aprendizagem dos alunos. Acreditamos que todos, sem exceção, têm o direito de estar na escola e de aprender. Acreditamos que todos podem aprender, ainda que em ritmos e velocidades diferentes. Chamamos isso de princípio da educabilidade.

Para o cumprimento dessa meta, focamos o nosso esforço em auxiliar os professores no desenvolvimento das habilidades descritas nas Matrizes de Referência da Prova Brasil (acesse-as AQUI), definidas pelo Inep/Ministério da Educação. Trabalhamos com as turmas em finais de ciclos que participarão da Prova Brasil 2017, acompanhando-as por 2 anos. Não fazemos “treinamento” para a Prova Brasil, porque isso, além de inútil, implicaria em trabalhar estratégias de memorização e não o desenvolvimento de habilidades e competências. Queremos que os alunos aprendam a pensar, isto é: queremos que aprendam a ler, a interpretar e a resolver problemas adequados ao nível de ensino em que cursam. E acreditamos que isso fará imensa diferença em suas vidas!

Aprofundaremos esses assuntos em nossa próxima oficina presencial para estagiários do Programa Integrar, no início de abril.

Até lá.